Por Tônia Casarin

Em 1990 a Unesco promoveu a primeira Conferência Mundial de Educação para Todos, em Jomtien, na Tailândia. Lá foram definidos quatro amplos pilares sobre o que todos os seres humanos deveriam aprender em sua educação formal:

  1. Aprender a conhecer;
  2. Aprender a fazer;
  3. Aprender a viver com os outros;
  4. Aprender a ser.

Em 2000, uma nova conferência foi realizada em Dakar, no Senegal, e foram definidos seis grandes objetivos, a serem atingidos e revistos em 2015. Chamados de Educação para Todos, os objetivos eram os seguintes:

  1. Expandir e melhorar o cuidado e educação na primeira infância.
  2. Garantir que até 2015 todas as crianças tenham acesso e terminem um ciclo de educação primária, gratuita, compulsória e de boa qualidade.
  3. Garantir que as necessidades de aprendizagem de jovens e adultos sejam atendidas por programas técnicos apropriados.
  4. Conseguir um aumento de 50% nos índices de alfabetização de adultos até 2015.
  5. Eliminar diferenças de gênero em escolaridade até 2015.
  6. Melhorar a qualidade da educação em geral, com medidas claras de aprendizagem em letramento, matemática e habilidades para a vida.

Em 2015, em Incheon, Coréia do Sul, mais de 130 países se encontraram na Conferência Mundial da Educação para rever esses objetivos e, principalmente, reiterar a educação como um direito humano, essencial para sua dignidade. O novo documento, a ser revisto e trabalhado até 2030, foi chamado da Declaração sobre o Futuro da Educação e, o movimento – Repensando a educação: a caminho do bem global –  foi lançado.

“A educação deve produzir mais do que indivíduos que consigam ler, escrever e contar. Ela deve nutrir cidadãos globais que consigam enfrentar os desafios do século XXI.” – Ban Ki-Moon

Muitos referenciais definem as competências para o novo milênio ou chamadas também de as competências do século XXI. Basicamente, estamos falando de: Pensamento Crítico e Resolução de Problemas, Colaboração e Liderança, Agilidade e Adaptabilidade, Iniciativa e Empreendedorismo, Comunicação Oral e Escrita Efetiva, Acesso e Análise de Informações, Curiosidade e Imaginação, Inteligência Emocional e Social, Aprender a Aprender, entre outros.

Esses comportamentos e atitudes são aprendidos por meio da experiência em casa, na vida, não cabendo apenas à escola ser a responsável por garantir essas aprendizagens. No entanto, se não houver um espaço que garanta que elas estejam sendo asseguradas, com recursos intencionalmente mobilizados para que isso aconteça, elas poderão ser esquecidas ou preteridas.4

Pesquisas que apoiam pedagogicamente a incorporação do ensino dessas competências contam com contribuições da neurociência, psicologia, pedagogia, sociologia, economia, andragogia, entre outras. Pesquisadores da área de economia já defendem que a cada US$1 investido no desenvolvimento dessas competências, o retorno é de US$ 11.

Mais do que isso, as correlações indicam que em todos os países, capacidades socioemocionais se relacionam com níveis de renda e desemprego, graduação, obesidade, depressão, problemas de comportamento e conduta, bullying, comportamentos de vítima, além de indicadores de qualidades de vida e saúde física, conforme relatório de 2015 da OCDE.

Portanto, parece já ser consenso acadêmico a necessidade de incorporação do desenvolvimento das competências do século XXI nas políticas educacionais. Além de grandes organizações envolvidas e pesquisas acadêmicas demonstrarem os benefícios, ainda há dados de prevenção de saúde mental. Nos EUA, uma em cada cinco crianças apresentam problemas de estresse e saúde emocional, como ansiedade. Cinquenta por cento desses distúrbios começam antes dos catorze anos e setenta e cinco por cento deles antes dos 24 anos. Para reduzir esses números, o desenvolvimento de inteligência emocional e social são chave para uma sociedade mais saudável e pronta para os desafios que virão pela frente.

 

Tonia Casarin focou seus estudos no desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais em crianças, adolescentes e adultos. Atua como consultora educacional e coach de lideranças, com experiências de gestão no setor público e privado.

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